sábado, dezembro 30, 2006

Economia para 2007

Vem aí outro ano, e já são muitos os economistas que começam a fazer as suas previsões, para um ano que muitos consideram mais um, de sofrimento para a angustiante situação da economia portuguesa. Mas será que este será um ano mais produtivo, mais rentável para os patrões e com melhores condições para os empregados, será esse o maior objectivo de parte importante dos intervenientes da social economia.
Penso que o apertar do cinto, tal como o governo já o anúncio, será situação a manter-se, por outro lado, não vejo muitas hipóteses para uma evolução positiva em relação aos factores que mesmo externos à nossa economia cada vez mais a afectam, como sendo o valor do petróleo, o controlo da inflação por parte do Banco Central Europeu, que tem sido feito com recurso ao aumento das taxas de referencia, que tem sendo um impacto negativo a quem mais deve, situação em que tanto o governo português como a toda a população, afecta cada vez com mais consequências.
Mas também é já sabido que o aumento que agora se anuncio por parte dos salários, com um ganho real por parte de quem menos ganha, será devorado na totalidade pelos aumentos dos combustíveis, com uma actualização por parte do governo do imposto sobre os combustíveis. Mas a electricidade com um aumento de mais de 6% nas facturas dos portugueses, será ainda uma das maiores preocupações por parte de quem tem e quer chegar ao final do mês com as suas contas sempre pagas. Mas existem também outros aumentos com muita importância e de muita preocupação.
Economicamente penso que como é de esperar o país vai continuar a atrasar-se do resto da Europa, com um crescimento do PIB previsto nos meus cálculos, na ordem dos 1,5%, atendendo que por exemplo, penso que o aumento das exportações não será tão acentuado como o próprio governo prevê, situação que poderá trazer graves consequências. Em relação às despesas elas vão continuar a aumentar, de forma acentuado, se bem que este será um ano em que alterações nas politicas do governo, e na estrutura da função pública em relação à possibilidade de despedimento ou melhor de desvinculação por parte do estado com um trabalhador, desde que se justifique, será certamente um tema de muita atenção, principalmente atendendo às consequências que poderá trazer.
Mas penso que mais um ano com dificuldades, não fará mal a ninguém, atendendo também ao facto de que nós portugueses já nos começamos a habituar em relação a esta situação. Por isso aqui ficam os meus desejos de bom 2007, numa pequena analise.

Jorge M. Ferreira (economista calipolense)

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Deixem-me sonhar!...

Escrevi este texto há mais de um ano no Restaurador da Independência, e penso que é incrível como ainda se mantém actual. Na altura o texto não teve a atenção devida pois o Restaurador da Independência ainda dava os primeiros passos, pelo que coloco novamente o texto a debate pelos caros leitores do Terras de Mármore.

«E que tal se Vila Viçosa tivesse ensino superior? E quem diz Vila Viçosa, também diz Borba, Estremoz e até mesmo o Alandroal!!!

E se fosse criado um Instituto Politécnico da Zona dos Mármores?

À primeira vista pode parecer estranho, mas, talvez se analisarmos os prós e contras, até fosse natural que este projecto se concretizasse!

Em Portugal existem 15 Institutos Politécnicos. A saber são: Lisboa, Porto, Setúbal, Beja, Portalegre, Santarém, Tomar, Castelo Branco, Leiria, Coimbra, Guarda, Viseu, Bragança, Viana do Castelo e Cavado e do Ave (Barcelos).

Os distritos que não possuem um Instituto Politécnico são: Évora, Faro, Aveiro e Vila Real. Estes 4 distritos possuem uma Universidade.

Analisando outra situação dos Institutos Politécnicos, é a descentralização das suas Escolas Superiores.

São elas:

Escola Superior de Teatro e Cinema (Amadora);
Escola Superior de Estudos Industriais (Vila do Conde);
Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras;
Escola Superior de Tecnologia do Barreiro;
Escola Superior de Desporto de Rio Maior;
Escola Superior de Tecnologia de Abrantes;
Escola Superior Agrária de Elvas;
Escola Superior de Gestão de Idanha-a-Nova (com um curso a ser administrado no Fundão);
Escola Superior de Artes e Design (Caldas da Rainha);
Escola Superior de Tecnologia do Mar de Peniche;
Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital;
Escola Superior de Turismo e Telecomunicações (Seia);
Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego;
Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Mirandela;
Escola Superior de Ciências Empresariais (Valença);
Escola Superior Agrária (Ponte de Lima).

Assim sendo, porque não a Zona dos Mármores ter o seu próprio Instituto Politécnico?

A Zona dos Mármores é composta pelos concelhos de Vila Viçosa, Borba, Estremoz e Alandroal. Tem cerca de 39.000 habitantes e as suas principais actividades económicas são as indústrias do mármore, turismo, pequeno comércio e a agricultura. Apesar destes concelhos sofrerem, como todos os restantes concelhos alentejanos, um aumento do envelhecimento, ainda se verifica uma enorme taxa de jovens a residir na Zona dos Mármores. Jovens que como eu e todos os outros jovens dos restantes concelhos tiveram que abandonar a sua terra natal para poder tirarem uma licenciatura, e infelizmente, a maioria deles para nunca mais voltar!

Não se deveria aproveitar estes jovens, cheios de força no início da sua vida profissional e vontade de começar uma vida?
Não se tiraria dividendos de se ter estes jovens nos nossos concelhos?

Imaginem o que seria se houvesse um Instituto Politécnico da Zona dos Mármores! O pequeno comércio, a restauração, os bares, a discoteca, os particulares (com o aluguer de quartos) só para referir alguns aspectos, sairiam a ganhar! O Instituto Politécnico e as diferentes Escolas Superiores iriam criar emprego para algumas centenas de pessoas! A própria Zona dos Mármores seria divulgada de modo gratuito pelos estudantes! Imaginem uma Semana Académica, uma Queima das Fitas, uma Latada, um Enterro do Caloiro, uma Serenata!!!
Tudo isso poderia acontecer!

Imaginem o que poderia vir atrás de uma Escola Superior de Saúde? Talvez um hospital?
E de uma Escola Superior de Tecnologia? Novas empresas de diversos quadrantes?
E se surgisse uma Escola Superior de Turismo? Maior desenvolvimento do turismo, mais hotéis, turismo de maior qualidade?

A questão que se põe é a seguinte, será que os políticos da Zona dos Mármores estarão dispostos a lutar incessantemente para trazer o Ensino Superior à Zona dos Mármores?

Será que o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, estará disposto a deixar as suas ideologias de parte e deixar abrir um Instituto Politécnico na Zona dos Mármores?

Será que os Calipolenses, Borbenses, Alandroalenses e Estremocenses estariam dispostos a unir-se e a lutar por esta causa?»

domingo, dezembro 24, 2006

FELIZ NATAL

Aos colegas do Terras de Mármore, aos leitores e amigos que tenho em Vila Viçosa desejo um Feliz Natal.

terça-feira, dezembro 19, 2006

E tudo porque um dia, alguém pretendeu ajudar



E tudo porque um dia, alguém pretendeu ajudar.


“As necessidades do mercado fazem surgir na sociedade empresários e empresas, a falta de mão-de-obra disponível, para trabalhar no sector privado, provoca a morte lenta de uma renovação de empregadores, necessária para a evolução económica de uma paíse de uma economia regional “

Jorge M. S. Ferreira (economista calipolense)
A restante analise encontra-se em www.intervisao.blogspot.com

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Apresentação

Depois ter dado início à participação nesta aventura colectiva de Calipolenses e de pessoas que amam a sua terra, chega a altura de fazer uma breve apresentação.

Sou Nuno Faritas Lobo, jovem Tradutor e Investigador Calipolense de 22 anos, sou licenciado em Tradução e Assessoria de Direcção. Sou monarquico e apartidário.

Sou o responsável pelos blogues
Restaurador da Independência, Taberna dos Inconformados e Pontapé de Saída. Sou blogger porque gosto de escrever, de trocar ideias, de aprender e de debater. Sou blogger porque me permite dar a conhecer Vila Viçosa e também discutir as problematicas da Princesa do Alentejo.

Enquanto blogger do Terras de Mármore irei tentar trazer à discussão (que espero que seja saudável) temas que penso serem fulcrais para Vila Viçosa. Tentado não fugir da área em que sou especialista (línguas e humanidades) irei tentar fazer com que este espaço seja um espaço aberto a ideias de todos, incluindo os nossos leitores. Não pretendo aqui atacar responsáveis camarários nem partidos, assim como não estou aqui para fazer política. Antes sim, estou para tentar ajudar a dinamizar a vila de Vila Viçosa e o seu concelho. Para tentar ajudar a arranjar soluções para as lacunas que eu penso ainda existirem em Vila Viçosa. Assim, independentemente das vossas cores políticas, das vossas convicções, apelo à participação massiva dos Calipolenses, Bencatelenses, Ciladenses e Pardelenses no Terras de Mármore para não só podermos tentar ajudar a nossa Vila-Museu e o nosso concelho, mas também para nos podermos enriquecer individualmente.

Por fim, deixo palavras de agradecimento ao
Luís, mentor deste oportuno projecto, ao Francisco e ao Jorge pela amizade blogosférica e pessoal que temos mantido nos últimos tempos e também ao (outro) Jorge por nos ter dado a honra de ter aceite em participar no nosso projecto.

A minha caixa de correio blogosférica -
orestaurador@gmail.com - está aberta a todos os que nesta aventura queiram participar.

Saudações!

Nuno Faritas Lobo - Tradutor e Investigador Calipolense

terça-feira, dezembro 12, 2006

7 Maravilhas de Portugal

Parece que a moda das 7 Maravilhas pegou. Elegem-se agora as 7 Maravilhas de Portugal de entre 21 seleccionados possíveis.

Entre os seleccionados está o Pálacio Ducal de Vila Viçosa, obviamente, recomendo (forçosamente) a votação.

Para os que ainda não estão convencidos:

« Chegar a Vila Viçosa é conhecer um local que parece ter parado no tempo. O Palácio, com uma arquitectura tradicionalmente portuguesa onde predomina o mármore, é um local de visita obrigatória. Erguido em pleno centro de Vila Viçosa e a cerca de 60 quilómetros de Évora, recebe visitantes de todo o país e não só. São muitos os curiosos que querem conhecer de perto como em tempos viveu a realeza.

Os visitantes são recebidos pela estátua equestre de D. João IV que parece guardar a imponente fachada do edifício. Mas, é importante sublinhar que o Paço Ducal foi feito sem extravagâncias. Apesar das suas grandes dimensões chega a ser intimista e acolhedor. Ao passarmos pelas suas divisões conseguimos imaginar histórias e entrar, nem que por alguns momentos, no ambiente que um dia ali se viveu. Mesmo nas maiores divisões do palácio, como é o caso da Sala dos Duques, assim baptizada pelo facto de no seu tecto estarem representados os 17 duques de Bragança, não se sente o tão típico toque impessoal e frio deste tipo de edifícios. Os aposentos reais encontram-se quase intocados e ainda com alguns objectos pessoais dos seus ilustres senhorios.

Ao todo é possível visitar 50 salas repletas de atractivos, desde o mobiliário à tapeçaria, passando por azulejos e porcelanas. De salientar as salas de Jantar, de Ensaios, de Música Sacra e da Porcelana da China. À biblioteca deve-se grande parte da fama deste palácio. Nela está guardada aquela que é considerada a maior e melhor colecção de livros de tipografia portuguesa dos séculos XV e XVI. No total, encontram-se na biblioteca mais de 50 mil exemplares, entre os quais uma edição de “Os Lusíadas” de 1572.

A capela do palácio tem também as suas histórias para contar, nomeadamente a relatada pelo padre António Vieira. Outro espaço interessante é a cozinha do palácio, agora decorada com mais de 500 peças entre tachos e panelas, qualquer coisa como duas toneladas de cobre. Inseridos no espaço do palácio podem ainda ser visitados os museus da Armaria e das Carruagens. Os jardins e o claustro de inspiração conventual são espaços a não perder.

Actualmente, o Palácio é propriedade da Fundação da Casa de Bragança. É sem dúvida um lugar com história, ou não fosse ali passada a última noite do Rei D. Carlos e do príncipe D. Luís Filipe antes de embarcarem no comboio que os levaria a Lisboa no fatídico dia 1 de Fevereiro de 1908, o dia do regicídio que acabaria por ditar, passados pouco mais de dois anos, o fim da monarquia constitucional no nosso país. »

Retirado daqui e publicado também aqui

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Florbela Espanca

Porque dia 8 de Dezembro foi dia de Nossa Senhora da Conceição mas também de uma "outra" Conceição - Flor Bela de Alma da Conceição, que ficaria conhecida para o mundo como Florbela Espanca.

SER POETA
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


LANGUIDEZ
Tardes da minha terra, doce encanto,
Tardes duma pureza de açucenas,
Tardes de sonho, as tardes de novenas,
Tardes de Portugal, as tardes de Anto,

Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!
Horas benditas, leves como penas,
Horas de fumo e cinza, horas serenas,
Minhas horas de dor em que eu sou santo!

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar...


MINHA TERRA
Minha terra na planície rasa,
Branca de sol e cal e de luar,
Minha terra que nunca viu o mar
Onde tenho o meu pão e a minha casa…

Minha terra de tardes sem uma asa,
Sem um bater de folha… a dormitar…
Meu anel de rubis a flamejar,
Minha terra mourisca a arder em brasa!

Minha terra onde meu irmão nasceu…
Aonde a mãe que eu tive e que morreu,
Foi moça e loira, amou e foi amada…

Truz… truz… truz… Eu não tenho onde me acoite,
Sou um pobre de longe, é quase noite…
Terra, quero dormir… dá-me pousada!

Florbela Espanca


Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894.

Filha ilegítima de uma "criada de servir" falecida muito nova, alegadamente de "nevrose", foi registada como filha de pai incógnito, marca social ignominiosa que haveria de a marcar profundamente, apesar de curiosamente ter sido educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira.

Note-se ainda que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa a perfilhou, por altura da inauguração do seu busto em Évora, debaixo de cerrada insistência de um grupo de florbelianos.

Estudou em Évora, onde concluiu o curso dos liceus em 1917. Mais tarde vai estudar para Lisboa, frequentando a Faculdade de Direito. Colaborou no Notícias de Évora e, embora esporádicamente, na Seara Nova. Foi, com Irene Lisboa, percursora do movimento de emancipação da mulher.

Os seus três casamentos falhados, assim como as desilusões amorosas em geral e a morte do irmão, Apeles Espanca (a quem a ligavam fortes laços afectivos), num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e obra.

Em 8 de Dezembro de 1930, agravados os problemas de saúde, sobretudo de ordem psicológica, Florbela morreu em Matosinhos. O seu suicídio foi socialmente manipulado e, oficialmente, apresentada como causa da morte, um edema pulmonar.





retirado
daqui


quinta-feira, dezembro 07, 2006

Nossa Senhora da Conceição - Padroeira de Portugal


Nas cortes celebradas em Lisboa no ano de 1646 declarou el-rei D. João IV que tomava a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino de Portugal, prometendo-lhe em seu nome, e dos seus sucessores, o tributo anual de 50 cruzados de ouro. Ordenou o mesmo soberano que os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Não foi D. João IV o primeiro monarca português que colocou o reino sob a protecção. da Virgem, apenas tornou permanente uma devoção, a que os nossos reis se acolheram algumas vezes em momentos críticos para a pátria. D. João I punha nas portas da capital a inscrição louvando a Virgem, e erigia o convento da Batalha a Nossa Senhora, como o seu esforçado companheiro D. Nuno Alvares Pereira levantava a Santa Maria o convento do Carmo. (...)

In Arqnet

A Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa é uma ordem honorífica dinástica portuguesa cujo Grão-Mestre é o Duque de Bragança.A Ordem foi instituída pelo Rei D.João VI, em 6 de Fevereiro de 1818, dia da sua aclamação, no Rio de Janeiro, Brasil. O objectivo do Rei, que era o Grão-Mestre da nova Ordem Militar, era homenagear a Padroeira (designada por alvará de 1646), por Portugal ter sobrevivido, como país independente, às guerras napoleónicas que tinham assolado o país e a Europa. De D.João VI a 1910 foram agraciados pelos Reis com esta ordem várias personalidades, essencialmente oriundas na nobreza e da aristocracia. O governo provisório, em Outubro de 1910, extingui-a como Ordem Militar, embora o rei D.Manuel II no exílio e os Duques de Bragança que lhe sucederam tenham continuado a utilizar as insígnias desta ordem, só recentemente o actual Duque de Bragançaa reabilitou, como Ordem dinástica honorífica da Família Real Portuguesa, distinguindo várias personalidades que agracia com o grau de cavaleiros da ordem, na festa de 8 de Dezembro, em Vila Viçosa.


In Wikipédia

São necessários mais apoios á cultura e ao trabalho técnico em Vila Viçosa.

Começaremos pelo início, na compreensão do que poderemos e queremos fazer por uma terra que sempre demonstrou raça e muito sangue nobre, no que toca à humildade e compreensão do homem como um ser. Mas também é sabido que no enlace entre o passado e o futuro um pouco mais do que simples desejo, é necessário para que o caminho seja a continuação de matérias saudáveis para os historiadores. Pois é no hoje que se constrói o um presente prolongado num futuro com esperança, e marcando-se um passado histórico e virtuoso de actos.
O que as minhas palavras me levam a descrever, não é mais do que o desejo de um maior investimento, por parte dos responsáveis autárquicos, regionais e dos privados, no sentido de eles manifestarem o seu respeito por esta gente e por esta cultura, com um maior apoio aos que desta vila, fazem a sua cultura. Um pintor só pode manifestar a sua arte se a puder expor de forma enquadrada e com capacidade ou ajuda para o fazer. Um escritor só conseguirá fazer o que outros antepassados do nosso canto fizeram, se no caminho para a construção das suas personagens, as for alimentando com um pouco mais do que palavras e meros actos.

Hoje não somos brutos nem estúpidos, não somos espertos nem idiotas, somos apenas produto do meio em que fomos criados.

Se tais palavras demonstram uma mera análise do que por vezes acreditamos ser óbvio, não será mais óbvio, que os espaços para esta cultura calipolense são necessários como água para a boca de uma criança.
Que os apoios, financeiros, através de prémios de reconhecimento, não são um objectivo para quem constrói cultura, mas são um orgulho para gente humilde e pobre que os entrega, demonstrando assim o seu agradecimento pelo que sem pedidos foi feito em nome de um povo e de um principio.
Que acto mais nobre, do que o do rei retirar o poder simbólico que possuía, e entrega-lo de forma simbólica, a nossa senhora da Conceição, sem que nada em troca pedissem, a não ser a protecção dos seus súbditos e certamente os mais simples e pobres homens que o único precioso que possuíam era a cultura e a sua simples sabedoria.
Por isso aqui fica o meu simples desejo, de ver mais quando o sol nascer e de dar sem ser pedido a quem até ao escurecer por esta terra fizer o que ninguém lhe pediu.

Jorge M. Ferreira (economista calipolense)

Nossa Senhora da Conceição - 360 anos da coroação como Padroeira do Reino.

Segundo reza a lenda, a imagem da Padroeira de Portugal do Santuário de Vila Viçosa terá sido uma oferta do Condestável do Reino e Fundador da Casa de Bragança, D. Nuno Álvares Pereira, à Igreja de Santa Maria do Castelo (actual Igreja de Nª. Sra. Da Conceição) em honra de seu irmão – Fernão Pereira – falecido no assalto das tropas Portuguesas ao castelo de Vila Viçosa. Na crise de 1383-1385 o Castelo de Vila Viçosa por decisão do seu alcaide tinha tomado o partido de Castela.

Ainda de acordo com a tradição popular calipolense, os vestidos que cobrem a imagem de Nossa Senhora da Conceição pertenceram a Rainhas e outras Damas da Corte portuguesa, constituindo um vasto espólio de oferendas que o Santuário tem recebido ao longo dos séculos.
Foi nas cortes celebradas em Lisboa em 25 de Março de 1646 (fez este ano 360 anos deram conta de alguma iniciativa a assinalar o facto?) que el-rei D. João IV (O Restaurador) declarou tomar a Virgem Nossa Senhora da Conceição por Padroeira do Reino de Portugal.

Perante a sua Corte, D. João IV declarou:

“…assentamos de tomar por padroeira de Nossos Reinos e Senhorios, a Santíssima Virgem, Nossa Senhora da Conceição, na forma dos Breves do Santo Padre Urbano 8º, obrigando-me a aceitar a confirmação da Santa Sé Apostólica e lhe ofereço em meu nome e do príncipe D. Theodósio, e de todos os meus descendentes, sucessores, Reinos, Senhorios e Vassalos a Sua Santa Caza da Conceição sita em Vila Viçosa.”

Para que não restassem dúvidas relativamente à seriedade e perpetuidade do seu juramento acrescentou:

“…se alguma pessoa intentar contra esta nossa promessa, juramento e vassalagem, por este mesmo efeito, sendo vassalo, o havemos por não natural e queremos que seja logo lançado fora do Reino; se fôr Rei, haja a sua e nossa maldição e não se conte entre nossos descendentes, esperando que pelo mesmo Deus que nos deu o Reino e subiu à dignidade real, seja dela abatido e despojado.”

A partir de então não mais os monarcas portugueses da Dinastia de Bragança voltaram a colocar a coroa real na cabeça.

O dogma da Imaculada Conceição foi definido pelo papa Pio IX em 8 de Dezembro de 1854, pela bula Ineffabilis, na qual confirmava
"eleição da Bem Aventurada Virgem Maria sob a invocação da Santíssima Conceição, como particular, única e singular Advogada e Protectora do Reino de Portugal".

Desde então que o dia 8 de Dezembro é celebrado em todo o País como o dia da Padroeira de Portugal.

O culto da Imaculada Conceição tem vindo a perder influência na vida religiosa portuguesa, essencialmente a partir de 1917 quando se desviaram as intenções para o culto e devoção em honra de Nª Sª de Fátima, que se viu igualmente coroada por via da devoção popular já no decorrer da década de 40 do século XX.

Até há poucos anos, o dia 8 de Dezembro era celebrado em Portugal como o dia da Mãe, não consegui apurar ao certo qual o motivo da mudança desta celebração para o dia 5 de Maio, mas penso que se prende com a consagração do mês de Maio como o mês de Nossa Senhora, mais uma vez claramente influenciado pelos acontecimentos da Cova da Iria.

Cumpre-se amanhã o dia 8 de Dezembro, dia da Mãe de Portugal – Nossa Senhora da Conceição, uma data que parece cada vez mais cair no esquecimento dos portugueses…
Feliz dia, nossa Mãe!

quarta-feira, dezembro 06, 2006


Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa
O Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa é também conhecido por Solar da Padroeira, por nele se encontrar a imagem de Nossa Senhora da Conceição (manifestação), padroeira de Portugal. A igreja, que é simultaneamente Matriz de Vila Viçosa, fica situada dentro dos muros medievais do castelo da vila, não se podendo porém precisar a data exacta da sua fundação, sendo que a existência da matriz é já assinalada na época medieval. O edifício actual resulta da reforma levada a cabo em 1569, reinando D.Sebastião, sendo um amplo templo de três naves, onde o mármore regional predomina como material utilizado na construção. Segundo a tradição, a imagem da padroeira terá sido oferecida pelo Condestável do Reino, D.Nuno Álvares Pereira, que a terá adquirido em Inglaterra. A mesma imagem teve a honra de, por provisão régia de D.João IV, referendada em cortes gerais, ter sido proclamada Padroeira de Portugal, em 25 de Março de 1646. A partir de então não mais os monarcas portuguesas da Dinastia de Bragança voltaram a colocar a coroa real na cabeça. A notável imagem, em pedra de ançã, encontra-se no altar-mor da igreja, estando tradicionalmente coberta por ricas vestimentas (muitas delas oferecidas pelas Rainhas e demais damas da Casa Real). Ainda em 6 de Fevereiro de 1818 o Rei D.João VI concedeu nova benesse ao Santuário, erigindo-o cabeça da nova Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, agradecendo à Padroeira a resistência nacional às invasões francesas. Neste Santuário nacional estão sediadas as antigas Confrarias de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e dos Escravos de Nossa Senhora da Conceição. O Papa João Paulo II visitou este Santuário durante a sua primeira visita a Portugal, em 14 de Maio de 1982. A grande peregrinação anual ao Santuário de Vila Viçosa celebra-se a 8 de Dezembro, solenidade da Imaculada Conceição, Padroeira Principal de Portugal. Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa foi também declarada padroeira da Arquidiocese de Évora. É actualmente reitor deste Santuário o Padre Mário Tavares de Oliveira.
Vila Viçosa

SAUDAÇÃO

Em primeiro lugar quero saudar Vila Viçosa, terra de nobrezas muitas, a maior das quais, a das suas gentes hospitaleiras. Sem saber muito bem como, vi-me convidado para ser co-autor deste blogue pelos seus inspiradores, convite que muito me honrou e que, apesar de uma vida muito atribulada, não fui capaz de recusar.
A minha vida cruzou-se uma vez com esta terra e desde então nunca mais fui capaz de a esquecer. Quem algum dia vai às terras do mármore nunca mais esquece e nunca mais volta a ser o mesmo. Sim, enriqueci humanamente depois de por lá ter passado. Por isso, e apesar da minha pouca disponibilidade, senti ser até um dever aceitar o convite.
E aqui estou. Interpretem esta minha presença como uma homenagem de um republicano convicto a uma terra que faz parte da História de Portugal e, nas vésperas de mais um 8 de Dezembro, como um testemunho de enorme respeito pelas tradições de um povo que sabe resistir como nenhum outro à massificação e à normalização dos nossos dias.

terça-feira, dezembro 05, 2006


Uma história inesquecivel do fruto calipolense.


Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!


Florbela Espanca

segunda-feira, dezembro 04, 2006


A Biblioteca de Vila Viçosa, só não dá votos, talvez este seja o seu maior problema.

A nossa terra tem cada vez mais estudantes, durante os últimos 10 anos, os licenciados aumentaram para mais do dobro, sem falar dos estudantes da escola secundária que não são um número pequeno. Para toda esta população estudantil, a nossa vila não tem nenhum espaço dedicado somente para eles, onde os livros e o espaço para lerem e estudar seja uma realidade.
Mas qual será o principal problema, para que hoje ainda não seja uma realidade uma biblioteca com características próprias e condições verdadeiramente apropriadas ás necessidades do filhos da terra?
Votos, é a única resposta possível, todos sabemos que o número que iria usufruir deste espaço seria de forma directa menos de 10% da população, pelo menos nos primeiros anos. Esta situação é de forma bem clara um impedimento, pois qualquer candidato a presidente do município ou mesmo o actual poder camarário, na hora de prometer e planear este investimento irá ter sempre em atenção o número de votos que poderá conseguir, e claramente são um número reduzido.
Mas a verdade é que quando queremos Vila Viçosa, como património da humanidade, não poderemos esquecer que queremos também como o local onde grandes homens construíram o futuro.
Hoje podemos por exemplo analisar o número de médicos de clínica geral que a terra têm. Sabemos que são inferiores aos que a população necessita, tanto que existem médicos espanhóis no centro de saúde. Mas também é sabido que existem neste momento entre 8 a 10 estudantes de medicina no concelho. Como poderemos querer que dediquem a sua formação a uma terra que não aposta em coisas tão necessárias e úteis para o património cultural dos seus cidadãos como é uma biblioteca. Mas este foi e é somente um exemplo, muito outros poderiam ser sinónimo do que devemos fazer.
Mas de que tipo de espaço se estará a falar na realidade?
Penso que seria um local onde as existissem salas de estudos, e acreditem elas são bem mais necessárias do que as salas de chuto. Onde a requisição de livros para ler com características somente de leitura literária, ou de consulta de livros técnicos pudesse ser efectuado por toda a população. Evidentemente este espaço agregaria condições para que através do computador se pudesse aceder a outras bibliotecas nacionais e internacionais de forma a podermos maximizar este espaço ao máximo. Seria por isso necessário, parcerias reais com universidades e bibliotecas, deixo aqui a universidade de Évora como certamente um meio para se chegar a muitos destes organismos. Pois é a universidade Alentejana e certamente a mais interessada neste assunto.
Desta forma questiono-me sobre o interesse do actual poder local em realizar este investimento. Mas sem me descuidar de querer saber qual as ideias que a única oposição existente, o PS local pensa do assunto. Ficamos por isso a aguardar, caso seja do desejo deles, uma resposta ás necessidades da população calipolense. Pois esta questão surgiu em comentários e desde 1999 que é uma conversa real entre os mais jovens calipolenses, e não se esqueçam que todos os que tem mais de 18 anos também votam.

Jorge M. Ferreira (economista calipolense)

Este é o vosso espaço...
Existem momentos gloriosos para a humanidade, nos quais a conjuntura de pequenos actos faz mudar o caminho inicial que todos tenhamos tomado lá atrás. A Internet foi sem que muitos se apercebessem um desses momentos, muito menos difícil do ponto de vistas das mudanças, mas nos anos que se seguiram com muito maior efeito e potência no social e cultural do cidadãos do mundo.

Com o início desta iniciativa poderemos estar a criar um espaço muito pequeno, que no seu desenrolamento e desenvolvimento se torne na voz de um povo, seja ele de que idade for, classe ou cor partidária. Se bem que sabemos que o confronto de ideias nem sempre é feito da melhor forma, sabemos no entanto que desde que o confronto físico e psicológico não se aconteça, poderemos tornar sempre a conversa mais viva.

Desta forma sejam bem vindos a este espaço, não poderia deixar passar este momento único e histórico, no que esperamos todos ser o inicio de um longo caminho, convosco e com todos os que considerarem que merecemos um pouco da vossa atenção. Os problemas desta terra, as iniciativas, a cultura os momentos marcantes e até mesmo o que de menor importância tiver estar aqui, assim como a politica, a historia nacional e local a cultura dos portugueses e calipolenses mas também a economia.

Por isso dou-vos a minha sinceras boas vindas.
Este é os momentos, este é o espaço e vós sois o nosso objectivo.

Jorge M. Ferreira (economista calipolense)

sábado, dezembro 02, 2006

Conjurados 2006

Aproveito este segundo dia de Dezembro para lançar a votação para os "Conjurados 2006".

Serve esta votação para eleger os blogues que mais se destacaram ao longo deste ano.

As categorias que vão a votos são:

  • Melhor Blogue de Vila Viçosa (para aqueles que acompanham de perto os blogues Calipolenses);
  • Melhor Blogue Alentejano;
  • Melhor Blogue Nacional;
  • Melhor Blogue Individual Masculino;
  • Melhor Blogue Individual Feminino;
  • Melhor Blogue Colectivo;
  • Melhor Blogue Humorístico;
  • Melhor Blogue Temático;
  • Melhor Blogue Desportivo;
  • Blogue Revelação do Ano;
  • Melhor Blogger;
  • Melhor Template.
Alerto ainda para o facto de não poderem votar nos vossos blogues ou em blogues colectivos em que participem.

Deverão indicar três blogues por cada categoria.

Poderão votar até 20 de Dezembro de 2006.

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Todos podem participar.

Fico à espera dos vossos votos.

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sexta-feira, dezembro 01, 2006

1 de Dezembro de 1640 - Para nunca esquecer!!!

Porque hoje nenhum jornal traz na primeira página a referência à Restauração da Independência, porque a maioria dos portugueses não sabe qual é a importância do dia de hoje, porque a nossa nacionalidade e independência anda cada vez mais mal tratada aqui vai todo o meu destaque, para a Restauração da Independência.

Aconselho ainda a um visita ao site da Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

Antes do Período Filipino

Com a morte de D. Sebastião em 4 de Agosto de 1578 na batalha de Alcácer Quibir, Portugal fica num vazio em termos de sucessão ao trono.
Assim, o tio-avô de D. Sebastião, o Cardeal D. Henrique sobre ao trono com 66 anos. Sendo um eclesiástico, D. Henrique morre em 31 de Janeiro de 1580 durante as Cortes de Almeirim em que deixa uma Junta de cinco Governadores: o arcebispo de Lisboa D. Jorge de Almeida, D. João Telo, D. Francisco de Sá Meneses, D. Diogo Lopes de Sousa e D. João de Mascarenhas.
Após a morte de D. Henrique, iniciou-se uma luta pela sucessão do Reino.
Nesta situação, D. Filipe II de Espanha e Emanuel Filiberto, duque de Sabóia poderiam ainda usufruir do direito de representação que os colocaria numa posição privilegiada (em quarto grau de parentesco), já que poderiam representar as pessoas de suas mães. Porém, de nada lhes valeria invocar o direito de macho (ou masculinidade), pois as suas mães também não o poderiam.
Pelo contrário, D. Catarina, Duquesa de Bragança, invocando o mesmo direito de representação, seria rainha de jure, já que era filha do infante D. Duarte, filho de El-Rei D. Manuel I, que seria o sucessor indiscutível caso fosse vivo; pelo mesmo direito, representava as pessoas de duas irmãs e da sua filha.
Por fim, D. António, Prior do Crato, que não reconhecido como possível sucessor ao trono por não ser legítimo, iniciou uma luta armada para conseguir ascender ao trono.
Foi coroado como Rei em 24 de Julho de 1580 e reinou durante 1 mês até ser derrotado pelo Duque de Alba, na Batalha de Alcântara.
Assim nas Cortes de Tomar de 1581, D. Filipe II de Espanha, passou a ser I de Portugal.
Ficou deliberado nas Cortes de Tomar que D. Filipe iria reinar seguindo as seguintes promessas:

  1. Respeitar as liberdades, privilégios, usos e costumes da monarquia portuguesa;
  2. Reunir sempre Cortes em Portugal e manter todas as leis portuguesas;
  3. Os cargos de vice-rei ou governador de Portugal deveriam ser mantidos por portugueses ou membros da família real;
  4. Os cargos previstos para a Corte e administração geral do Reino seriam sempre preenchidos por portugueses;
  5. Os portugueses poderiam também ocupar funções públicas em Espanha;
  6. O comércio da Índia e da Guiné apenas poderia ser feito por portugueses;
  7. Não poderiam ser concedidos títulos de cidades e vilas senão a portugueses;
  8. A língua nos documentos e actos oficiais continuaria a ser o português;
  9. Todos os anos seriam criadas duzentas novas moradias (ordenados que eram entregues aos fidalgos a partir dos doze anos) e a Rainha deveria ter sempre como damas nobres portuguesas;
  10. O príncipe herdeiro, D. Diogo, seria mantido e educado em Portugal;
  11. As guarnições castelhanas seriam retiradas e conservar-se-iam as armas reais de Portugal na moeda corrente.

O Período Filipino

Os reinados de D. Filipe II de Espanha e I de Portugal, e de D. Filipe III de Espanha e II de Portugal decorreram sem problemas de maior. Os dois Reis sempre respeitaram o acordado nas Cortes de Tomar de 1581.
Com D. Filipe IV de Espanha e III de Portugal que começaram a surgir os revoltosos portugueses. Com o desrespeito do acordado nas Cortes de Tomar de 1581; com o desvio dos lucros económicos das colónias portuguesas para despesas de guerras que o Rei castelhano mantinha com França, Holanda, Inglaterra e Catalunha; a perda de algumas colónias para os Ingleses e Holandeses; o envio de portugueses para as frentes de batalha de guerras que não eram portuguesas, mas sim castelhanas, começou-se a gerar uma onda de revolta perante o monarca castelhano.
O tumulto do «Manuelinho» de Évora, em 1637, foi o verdadeiro prenúncio do movimento restaurador. A causa imediata dessas alterações em Évora fora o lançamento de novos impostos.
A partir daí iniciou a conspiração de 1640 liderada pelos fidalgos D. Antão de Almada, Dom Miguel de Almeida e pelo Dr. João Pinto Ribeiro, entre outros, no sentido de convencerem D. João II, Duque de Bragança a tornar-se, D. João IV, Rei de Portugal.
Nessa altura, Vila Viçosa, possuía uma riquíssima Corte Ducal, à altura de muitas Cortes Reais na Europa, e D. João IV, mostrava-se bastante receoso em abandonar o luxo do seu Paço de Vila Viçosa para se aventurar numa Revolução que poderia correr mal. Posteriormente à Revolta do Manuelinho, em Vila Viçosa os Calipolenses começaram a aclamar D. João IV como Rei de Portugal e insurgindo-se contra a ocupação espanhola.
Após muita insistência e argumentação da parte do Dr. João Pinto Ribeiro, D. João IV, aceita o trono de Portugal.

A Revolução e a Guerra da Restauração da Independência

Com o sim de D. João IV, começou-se imediatamente a planear o dia da Revolução. Seria o dia 1 de Dezembro de 1640, um sábado. De manha cedo, a maioria dos fidalgos acorreram ao Terreiro do Paço e mataram o Secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos e aprisionaram a Duquesa de Mântua, que governava então Portugal em nome de seu primo, D. Filipe IV de Espanha. Outros fidalgos conseguiram conquistar o Castelo de S. Jorge e os fortes que guardavam Lisboa e o Tejo.
Rapidamente a noticia se espalha pelo Reino, saindo D. João IV de Vila Viçosa em direcção a Lisboa para ser coroado a 15 de Dezembro de 1640. Desde logo que D. João IV tratou de começar a organizar o reino, que economicamente e militarmente estava totalmente arruinado. Começa por reorganizar os Castelos do Alentejo, da Beira e de Trás-os-Montes, assim como o Castelo de Setúbal. Consegue também valiosas alianças com a Catalunha, a França, a Inglaterra, Holanda, Roma e os países nórdicos.
Depois de pequenas escaramuças ao longo de 4 anos ao longo da fronteira, em 1644 dá-se a Batalha do Montijo, tendo os portugueses vencido, causando enormes manifestações de alegria em Lisboa e espanto por toda a Europa pela humilhação sofrida por Madrid. Em 1659 dá-se a Batalha das Linhas de Elvas. Em 1658 um exército espanhol, comandado por D. Luís de Haro, acampava na fronteira do Caia, com 14 000 homens de infantaria, 5 000 de cavalaria, artilharia, munições, etc. Alguns dias decorreram em preparativos dos castelhanos para o cerco de Elvas, e nas diligências dos portugueses para defenderem a cidade. D. Luís de Haro distribuiu as suas tropas ao longo de entrincheiramentos, dando ordens para que fosse exercida apertada vigilância a fim de impedir que Elvas recebesse mantimentos ou qualquer outra espécie de auxílio vindo do exterior, de tal modo que só a chegada de um verdadeiro exército poderia evitar mais cedo ou mais tarde, a capitulação da praça. A rainha D. Luísa resolveu chamar D. António Luís de Meneses, Conde de Cantanhede, para lhe entregar o comando geral das tropas portuguesas no Alentejo, e transferir para o mesmo teatro de operações D. Sancho Manuel, que foi assumir as funções de mestre-de-campo general. Os espanhóis instalados nas duas colinas mais próximas começaram a bombardear a cidade de Elvas, causando pânico e grandes baixas na população. Mas o maior perigo era a peste que causava cerca de 300 mortes por dia.
Mediante tal situação, o Conde de Cantanhede, D. António Luís de Meneses reuniu em Estremoz um exército de socorro. Apesar de grandes dificuldades, que o obrigaram a organizar recrutamentos em Viseu e na ilha da Madeira, e reunir as guarnições de Borba, Juromenha, Campo Maior, Vila Viçosa, Monforte e Arronches, o conde de Cantanhede conseguiu formar um exército de oito mil infantes, dois mil e novecentos cavaleiros e sete canhões. Tendo ficado acordado, entre o conde de Cantanhede e D. Sancho Manuel, que o ataque às linhas de Elvas se faria pelo sítio conhecido por Murtais, o exército português saiu de Estremoz e marchou sobre a praça cercada. Os portugueses ocuparam as colinas da Assomada, de onde se avistava a cidade de Elvas e as linhas inimigas, estas num majestoso arraial. No dia 14 de Janeiro, cerca das oito horas da manhã, os portugueses desencadearam o ataque, como estava previsto pelo sítio dos Murtais. Manteve-se a vitória indecisa durante algum tempo, pois ao ataque correspondia uma vigorosa defesa do lado espanhol, mas a certa altura as tropas do conde de Cantanhede conseguiram romper irresistivelmente as linhas dos castelhanos, que começaram por ceder terreno e não tardaram a debandar.
Em 1663 dá-se a Batalha do Ameixial após Évora ter caído às mãos dos espanhóis, e em 1664 a Batalha de Castelo Rodrigo.
A batalha decisiva foi em 1665 com a Batalha de Montes Claros. O Marquês de Caracena havia planeado nada menos do que ocupar Lisboa, tomando em primeiro lugar Vila Viçosa e a seguir a cidade de Setúbal. Então pôs em movimento o seu exército, que se compunha de quinze mil infantes, sete mil e seiscentos cavaleiros e as guarnições de catorze canhões e dois morteiros. Tendo ocupado Borba que encontraram despovoada, os espanhóis atacaram Vila Viçosa que embora mal fortificada, ofereceu aos ataques do inimigo uma resistência inquebrantável.
Entretanto, o exército português avançava para socorrer a praça, mas foi resolvido pelos comandos que as tropas se detivessem em Montes Claros, a aproximadamente meio caminho entre Vila Viçosa e Estremoz. O general espanhol ao saber da proximidade do exército português, deu ordens imediatas para que as forças de que dispunha marchassem ao encontro do adversário. Carregando em massa, a cavalaria espanhola abriu brechas nos terços de infantaria da primeira linha, mas foi recebida com uma chuva de metralha disparada pela artilharia comandada por D. Luís de Meneses. Os esquadrões de Castela, obrigados a recuar refizeram-se e lançaram segunda carga sobre o terço de Francisco da Silva Moura, causando a morte deste e de mais trinta soldados portugueses. O Marquês de Marialva não estava disposto a ceder terreno ou a perder o ânimo.
Sob as suas ordens, as brechas abertas pela cavalaria espanhola foram colmatadas, enquanto a artilharia não cessava de fazer fogo sobre os castelhanos. Uma segunda carga igualmente impetuosa, conseguiu no entanto levar os cavaleiros espanhóis até ao mesmo ponto onde fora detida a primeira, mas as perdas sofridas foram de tal ordem que tiveram de deter-se também, sem que a segunda linha portuguesa comandada pessoalmente pelo Marquês de Marialva, tivesse sequer sido molestada. O Conde de Schomberg esteve prestes a cair nos domínios dos espanhóis, quando um tiro abateu o cavalo que ele montava. O espanhóis que pareciam ter contado com a fúria dos primeiros ataques em massa, executados em especial pela cavalaria, viram-se em situação de perigo. Deram ainda uma terceira carga, mas o ímpeto inicial tinha-se perdido e o desânimo apoderava-se deles. Ao cabo de sete horas de luta, os atacantes começaram a debandar, e o próprio general Caracena, reconhecendo que a batalha estava perdida, fugiu para Juromenha, de onde seguiu depois a caminho de Badajoz.
Esta foi a batalha decisiva para a vitória portuguesa na Guerra da Restauração. Entretanto, D. João IV conseguiu também importantes conquistas nas colónias como Brasil, como também de Angola e de São Tomé e Príncipe.
Em 1656, D. João IV, corou Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Rainha e Padroeira de Portugal. A partir desse momento, mais nenhum Rei usou a coroa na cabeça
Por fim, a 13 de Fevereiro de 1668, em Lisboa, D. Afonso VI e D. Carlos II assinaram o tratado de paz que pôs fim à Guerra da Restauração. Portugal acabou por ceder Ceuta a Espanha.